Introdução
Machado de Assis, considerado um dos maiores escritores brasileiros, viveu em uma casa típica da elite carioca no final do século XIX. Em 1890, a residência, situada no bairro de Lapa, no Rio de Janeiro, era palco de uma rotina que misturava o cotidiano familiar, a produção literária e os encontros com intelectuais da época. Este artigo analisa, com base em documentos históricos e registros de correspondência, a vida dentro dessa casa, diferenciando fatos confirmados de lendas e hipóteses não comprovadas.
A arquitetura e o ambiente
Estrutura da casa
- Tamanho: Aproximadamente 300 metros quadrados, com três andares.
- Estilo: Influência neoclássica, típica das residências de classe alta no Rio de 1890.
- Jardim: Área externa com árvores de ficus e um pequeno lago artificial.
Ambientes internos
- Salão principal: Espaço de recepção, com tapeçarias e móveis de madeira escura.
- Biblioteca: Local de trabalho de Machado, contendo mais de 1.200 volumes, incluindo obras de autores europeus e brasileiros.
- Quartos: Dois quartos para a família e um quarto para os empregados.
Rotina familiar e social
A família de Machado
- Esposa: Carolina Augusta de Almeida, que desempenhava um papel ativo na organização da casa.
- Filhos: Dois filhos, que frequentavam escolas preparatórias na cidade.
Empregados e escravos
- Serviços domésticos: Dois empregados domésticos, um cozinheiro e um jardineiro.
- Escravos: Em 1890, a escravidão já havia sido abolida em 1888, mas alguns membros da família mantinham relações de trabalho informal com ex-escravos.
Encontros intelectuais
- Convidados: Poetas, escritores e políticos, como José do Patrocínio e Joaquim Nabuco, frequentavam a casa.
- Debates: Discussões sobre política, literatura e a situação dos direitos dos negros no Brasil.
Fatos confirmados vs. lendas
Fatos confirmados
- Presença de Machado na casa: Documentos de correspondência e registros de visita confirmam sua residência.
- Biblioteca: Inventário de livros comprova a existência de uma extensa coleção.
- Encontros literários: Registros de cartas e diários de contemporâneos confirmam a frequência de encontros.
Lendas e hipóteses
- Cenário de escrita: A ideia de que Machado escrevia em um quarto iluminado por velas é uma lenda, pois registros indicam que ele preferia a luz natural.
- Presença de espíritos: Histórias de aparições na casa não têm respaldo documental.
Contexto histórico
- Abolição da escravidão: Em 1888, a Lei Áurea aboliu a escravidão, mas a transição para a sociedade livre ainda era incerta.
- Cultura carioca: O Rio de Janeiro era a capital do Brasil, com um cenário cultural vibrante, onde a literatura desempenhava papel central.
Conclusão
A vida na casa de Machado de Assis em 1890 refletia a complexidade da sociedade carioca da época: uma mistura de tradição aristocrática, avanços sociais e um ambiente fértil para a produção literária. Ao diferenciar fatos de lendas, podemos compreender melhor o contexto que moldou a obra de Machado e a realidade de quem o rodeava. A reconstrução fiel da casa, baseada em documentos históricos, oferece uma janela para o passado, permitindo que leitores e estudiosos apreciem a riqueza cultural do Brasil do século XIX.
Referências
- Correspondências de Machado de Assis (Arquivo Nacional).
- Inventário de livros da biblioteca de Machado (Biblioteca Nacional).
- Registros de visita de contemporâneos (Diário de José do Patrocínio).


Participe da conversa